Recém chegamos da nossa ultima viagem e já sinto as diferenças na nossa família, sempre voltamos mais unidos, nos conhecendo melhor e as crianças mais seguras. Tenho alguns momentos de viagens com eles que vão me marcar para sempre.

Quando Rodrigo tinha 4 meses e fizemos nossa primeira viagem para Buenos Aires, nunca vou esquecer do reconhecimento do papai, da ligação que eles criaram ali. Eu, felizmente, tenho a oportunidade de ficar em casa cuidando dos meus filhos, então eles me tem o dia inteiro, o pai, apesar de muito presente, sai para trabalhar. São relações diferentes mas ambas positivas e importantes para as crianças, e eu acho lindo ver que em viagens eles “gastam” o papai.

Das lembranças das primeiras viagens com o Rodrigo, as mais lindas, são os momentos que ele se dava conta de que estávamos só nós, e ele nos abraçava, os dois ao mesmo tempo, com o sorriso mais gostoso do mundo. Era pai e mãe, juntos, o dia todo, só para ele. Porém um dia deixou de ser para ele, o Gui chegou, ele tinha apenas 2 anos e meio, e como esperado se encheu de amor pelo mano e muito ciúmes.

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Abraço em família na Golden Gate

O primeiro mês do Gui foi pesado, Rodrigo estava de férias em casa, e eu com os dois o dia inteiro. Nesse período, um casal de amigos nos convidou para ir a um resort na Bahia com eles, aceitamos e fomos junto. Gui tinha 45 dias na data da viagem, Rodrigo ainda estava muito ciumento, no voo de ida  o Rodrigo deu muito trabalho, chorava, berrava e se debatia, foi um stress e ali começamos a nos arrepender da viagem, porém os dias foram passando e amenizando diversas atitudes dele.

Na volta a família parecia outra, estávamos relaxados, conectados e o Rodrigo percebeu que o pai e a mãe estavam ainda com ele, que o Gui só veio para acrescentar amor. Assim seguiram nossas viagens, porém algo ainda me “incomodava”. Desde que estava grávida do Gui, o Rodrigo assumiu uma postura, a mamãe tem que cuidar do Gui então o papai cuida de mim. Acredito que foi uma forma de proteção, com “medo” de perder o cuidado da mãe ele direcionou seu cuidado para o pai.

Assumo que não foi fácil, no inicio ele não me queria para nada, mas com o tempo esse sentimento foi ficando menor. Ano passado, quando fomos para Alemanha, ele ainda não aceitava muito a minha ajuda, na maior parte do tempo era o pai. Tiveram momentos em que eu nem podia empurrar o carrinho dele, fiquei triste, mas tentei entender e enquanto o Gui ia crescendo e ficando um pouco mais independente eu fui conseguindo retomar algumas atenções só ao Rodrigo e assim fomos recuperando a nossa ligação.

Essa nossa ultima viagem, a Boston e New England vai sempre marcar, para mim, o momento em que nossa família entrou em sintonia de vez, apesar dos meninos ainda precisarem “gastar” um pouco do papai,  não existiu mais a diferença, conseguimos nos curtir juntos. Tive meus momentos com o Gui e com o Ro separado, e muito com os dois ao mesmo tempo. Lógico, ainda existem pequenos ciúmes e conflitos, mas agora dentro da normalidade das relações.

Um dos medos dessa nossa viagem, não tinha relação com a viagem em si, mas do momento em que ela aconteceu. Saímos  para viajar um mês depois do Gui iniciar na escolinha. A escolinha é apenas no período da tarde, seguimos passando nossas manhãs juntos, mas já representa uma mudança enorme na rotina dele. Ele ainda estava adaptando, apesar de ter gostado da escola e da dinâmica que ela oferece,  chorava um pouco. Pensei que esse período, de quase 3 semanas, afastado da escola, nos faria passar por uma adaptação nova, porém o resultado foi o oposto.

Ontem, no segundo dia de retorno a escola, quando fui buscar os meninos, não consegui levar o Gui para casa, tive que deixar ele mais meia hora brincando, pois não queria ir embora. Enquanto isso conversei com a professora dele, e ela me comentou que também estava com receio dessa volta de viagem, mas que parece que ele voltou mais seguro e preparado para a escolinha. Da mesma forma que a viagem fez o Rodrigo perceber que a família seguia com ele quando o Gui nasceu, esses dias juntos fizeram o Gui perceber a mesma coisa, a rotina mudou, mas a nossa relação não.

Viajar em família traz um crescimento positivo para a mesma, não vou dizer que é fácil, que passeamos e somos felizes o tempo inteiro, temos bastante conflitos, momentos de cansaço, planos que não dão certo e crianças que resolvem azedar num momento que seria super legal para elas. Porém esses momentos aborrecidos nos permitem conhecer mais sobre nossos filhos e a nós mesmo, aprendendo a lidar com mais paciência e flexibilidade as situações difíceis que se apresentam, outras vezes nem tanto, mas faz parte!

 

 

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Publicado por:com as crianças na mala

Oi, sou a Camila. Tenho dois filhos, o Rodrigo e o Guilherme. Amamos viajar e levar as crianças junto "na mala".

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