Antes de ser mãe, o universo infantil era um local muito distante para mim. Não convivia e também nem fazia muita questão de crianças por perto, então muitas coisas que me pareciam óbvias, se mostraram bem mais complicadas na prática.

Por exemplo, levar um bebê e uma criança para a praia era algo incrívelmente mágico, e quando eu estava grávida do Rodrigo eu via os pais levando seus bebês pequenos para a beira da praia e achava linda aquela cena. O bebê sentado na beira do mar, esperando a onda molhar seus pézinhos, achando tudo aquilo uma graça.

Então eu via os brinquedos de praia, como crianças amam brincar na areia, e levar uma piscininha para encher de água no mar e deixar a criança brincar livremente com água e areia. Bem, santa inocência ao observar essas cenas lindas, acreditando que seria a experiência mais divertida possível.

A realidade chega, Rodrigo tinha quase 6 meses quando conheceu o mar, sim, molhou seus pés e achou graça, mas logo ficou com medo e chorou. Tivemos medo do mar e nojo da areia, sem falar da trabalheira, entre passar protetor, organizar os brinquedos, encher a piscina, trocar fralda de uma criança suja de areia, e mais choro e mais nojo de areia, e daí já está na hora de repassar o protetor, e o nojo da areia se tranforma em comer areia… e assim vamos. Levamos quase uma hora para nos instalar na praia e mais ou menos meia hora para ir embora, suados, sujos e cansados.

Eu não sei o que a praia causa nos meus filhos, mas a sensação que tenho que aquele ambiente deixa eles com um sono imenso, tanto o Rodrigo, quando era bebê, e o Gui até hoje, chegam na praia e começam com aquele ranço de bebê com sono, e acabam fazendo uma soneca. Quando falo soneca, não é apenas dar uma embalada e colocar a criança dormir, pois apesar do sono existe junto a curiosidade de brincar na praia, então eles resistem a dormir, juntando o calor, a areia, o protetor, o suor e um embalo convincente eles dormem. Levamos sempre uma barraquinha, que nos ajuda nos momentos de soneca ou quando precisam dar uma descansada da praia.

Cada criança tem seu jeito, o Rodrigo sempre teve alguma dificuldade com situações diferentes, e a praia foi um ambiente de dificil domínio para ele. O Gui foi um pouco mais fácil, mas ainda tem o sono da praia e o medo do mar, não é um local que ele fique 100% a vontade. Nesse último veraneio, na virada de ano de 2018 para 2019, tivemos alguns dias em que conseguimos curtir a praia com os dois, sem choros, sem brigas e sem sonecas.

Exatamente em um desses dias, ao meu lado tinha uma mãe com um bebê pequeno que não estava nada feliz por estar ali, nesse dia resolvi escrever sobre as dificuldades que passei, e ainda passo, levando meus filhos até a praia. Como falei, tem bebês que amam todo aquele cenário desde o momento que entram na praia, se sentam na areia, tomam banho de mar e acham tudo lindo, agora tem as situações que não dão tão certo, e é para essas mães que escrevo….

Como já escrevi, o Rodrigo foi para praia com 6 meses e não foi a melhor experiência. O Gui foi a praia com 45 dias, ou seja, ficou no colo e nem entendeu o que estava acontecendo.

Nesse meio tempo (Rodrigo tinha 2 anos e meio quando o Gui nasceu), a relação do Rodrigo com a praia foi bem variada. Com um ano e meio adorou ir a praia, apesar do medo do mar. Não durava mais que uma hora na praia, mas já não tinha nojo da areia e se arriscava a molhar os pés no mar, levou um tempinho, mas foi pegando confiança.

Quando ele tinha 1 ano e 9 meses fomos a Portugal, passamos alguns dias no litoral, não era muito quente, mas deu para brincar na areia, ele adorou. Mas o mar não quis nem chegar perto.

Quando o Rodrigo tinha 3 anos e o Gui 7 meses fomos a Sardegna, pensamos que seria uma experiência de praia incrível com as crianças, um mar sem ondas, raso e quente, o que poderia dar errado? TUDO.

Rodrigo estava com pânico de praia, não queria pisar na areia e muito menos chegar perto do mar, todos os dias, chegávamos na praia em meio a choro e pedidos para ir embora. Tínhamos uma estrutura de barraca e cangas e por ali ele ficava, com muuuuita paciência íamos conversando com ele, depois de quase duas horas ele topava ir para o mar, no colo. Novamente com muuuuita paciência íamos molhando os pés dele, fazendo brincadeiras, até que soltava, e brincava no mar, que mais parecia uma piscina rasinha. Ele amava tanto que dizia que nunca mais ia sair, e que dia seguinte ia brincar muito no mar. Porém o dia seguinte chegava e era tudo de novo.

Nessa mesma viagem o Gui estava meio doentinho, então praticamente dormia e ficava na sombra, entrou um pouco no mar, mas no colo e bem devagar, nada de sentar na beira do mar esperando as ondinhas.

Passados 6 meses dessa viagem, fomos passar o final de ano na praia, aqui no litoral do RS, com aquele mar agitado e de cor de chocolate, lindo que só vendo. Nesse mar Rodrigo se soltou, passou horas e horas brincando de pular ondas e se molhando. O Gui estava fazendo um ano de idade e amou a areia, brincou muito, porém chegava na praia e choramingava até dormir, depois da soneca estava pronto para brincar, somente na areia, o mar não atraiu ele.

Nessa última virada de ano fomos novamente a praia, não vou dizer que foi maravilhoso que nossos problemas estão resolvidos, mas já foi um verão muito mais tranquilo. Gui ainda choraminga, cansa e tem sono, como também não perdeu o medo do mar. Mas já conseguimos administrar ele melhor, e conseguiu brincar bastante na praia. Rodrigo da mesma forma, já está mais acostumado ao ambiente, brinca muito na areia e no mar, além de comer todos picolés, casquinhas, queijos, castanhas, pastéis, milhos que a praia oferece.

Foram muitas idas “frustradas” para a praia, muitos dias em que o preparo para ir era mais longo que o período na praia. Tivemos a fase de “brigar” para passar o protetor, a fase de levar muitos brinquedos, a “briga” para não usar boné, muitos choros de sono, medo do mar e nojo da areia. Mas como tantas fases que passamos com nossos filhos, elas foram passando. Se o seu bebê não gosta da praia não pense que vai ser assim sempre, persista respeitando o ritmo dele, nós fomos  do medo da praia, para amar e depois ter pânico novamente, para enfim conseguir curtir longas manhãs na beira mar.

Nem todas crianças são iguais e nem tudo que é divertido para as crianças em geral pode atrair o seu filho. Tem crianças que são facilmente atraídas a este tipo de programas e algumas que precisam se acostumar a todas particularidades que ambientes diferentes trazem. A nós pais, cabe ter paciência e tentar entender o que podemos fazer para tornar aquele momento mais agradável para todos, nem que seja desistir e voltar para casa, e sabe o que? Está tudo bem, se não deu, paciência, te digo que um dia vai, e o tempinho deles é só deles, deve ser respeitado. E as nossas expectativas? Quando saimos com crianças essas devem sempre ficar em casa.

Algumas dicas:

  • Leve menos brinquedos, escolha os que realmente vão usar, assim pode variar de um dia para outro e também aprender a se distrair com menos. Já se leva muitas coisas para praia com crianças.
  • Organize a mochila na noite anterior, assim quando for sair para praia é só passar o protetor e colocar as roupas de praia, que não é a tarefa mais rápida e fácil do mundo
  • Uma barraca, fácil de abrir e fechar, com ventilação pode ser uma grande aliada em momentos de soneca ou descanso na praia. Temos uma da MOR que adoramos
  • As roupinhas que protegem do sol facilitam para não ter que ficar repassando protetor toda hora
  • Protetor em spray é super prático na beira da praia, para repassar na criança cheia de areia, pode até passar no cabelo das crianças que não usam boné, só cuidar os olhos
  • Talco ou maizena ajudam a tirar a areia e deixar a pele do bebê sequinha, pode passar em toda pele, especialmente para bebês bem pequenos
  • A piscininha, afff essa acho complicado, mas uma pequena ajuda bastante bebês e crianças menores, mas já levamos muitas vezes e nem usamos. Se seu filho adora, pode levar, mas se ele não se distrai muito na piscina, os baldinhos já fazem a diversão.

Então relaxe, espere menos, organize o que vai facilitar e deixe em casa o que vai apenas pesar, persista respeitando ritmo do seu filho e um ótimo veraneio!

Anúncios
Posted by:com as crianças na mala

Oi, sou a Camila. Tenho dois filhos, o Rodrigo e o Guilherme. Amamos viajar e levar as crianças junto "na mala".

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s